Tuesday, October 24, 2006

volta.

Chega com teu braço forte e me envolve,
me segura firme que eu estou caindo.
Apoia a cabeça no meu ombro
que eu te seguro.
Tua ausência me dói,
embora não o tempo todo.
Mas esse lugar frio
é por ninguém merecido,
então volta pra cá.
te impõe homem,
como, com orgulho, diz,
e não me deixa.
Volta e pega a minha mão,
não questiona,
apenas me leva
para onde não devíamos ter saído.

verão.



Então quase sem perceber
tornamo-nos fundo e superfície
acorrentados um ao outro,
aos tropeços em nós mesmos.
Então me diz,
atacou ele cruel,
'o que eu faço?'
Ela sorriu, sem medo,
era inútil.
Uma imensidão verde desbotava o castanho
que ele, cobrindo a si mesmo,
insistia em pintar
com seus falsos desejos.
As mãos não precisavam nem se tocar,
os corpos explodiram de paixão
bombeado pelo coração,
as almas fermentaram
até escaparem pelos poros
e a partir destes dois
iniciou-se o verão.

Saturday, October 21, 2006

o mundo só pertence a quem sonha.


saudade
da cidade dos encantos,
de um poeta de bolso,
das manchas libertinas,
de cajus direto do pé.

peixe a luz de velas,
idéias revolucionárias,
violão que chora
enquanto despenca chuva lá fora.

risos incontidos,
futuros apaixonantes,
um mundo todo novo
a partir do lugar onde nada se esconde.

como se uma manta gigante
cobrisse a casa de madeira
não deixando entrar
nada que já não fosse dali.

descobri o amor,
fui quem realmente sou,
a muitos quilômetros daqui.

o loirinho joga pedras ao rio,
que reflete o sol brilhando a fio;
a ruiva caminha sobre a ponte bamba
como se sua alma fosse puro samba;
o careca canta,
atirando nossas almas ao vento,
lembrando que o mundo
só pertence a quem sonha.

Saturday, October 14, 2006

descobertas.



Me descobri em meu silêncio
é aí que a vida ensina,
por onde vamos,
de onde viemos,
o que somos,
o que sabemos...
Nem se quero saber eu sei.
sei que o melhor de tudo
foi ter descoberto
que a mim me basto.
E me sou confortável em meu silêncio
como se fossem de algodão
as paredes da minh'alma,
que ao despencarem
me abraça
me me sufocam num calor tão fofo
não deixando desocupado
nenhum milímetro quadrado
do meu vazio tão complicado.

Friday, October 13, 2006

confissões.


Hoje é o dia das confissões.
Não sei da onde eu tirei isso, mas é...
Hoje eu acordei com uma vontade absurda de de me jogar de um penhasco.
Assustado? Normal... Sinceridade demais assusta...
Não sei direito como eu me sinto,
nem sei se sou eu mesma, como deveria ser, ou se sou uma parcela da pessoa que eu nasci para ser.
Eu sou...
Sou...
Aquela que não quer morrer, só não quer viver.
Aquela que não tem medo da morte, só não quer estar viva quando isso acontecer...
Aquela que disse que ama, recohecendo-se incompleta.
Porque amar é reconhecer-se incompleto.
Não entendo o porque de tanto amor, já que nem sei o que fazer com ele...
Gritar? Esconder? Envergonhar-me? Espalhar?...
Não sei...
Eu vivo nesse calor intrépito gritando mudamente em plenos pulmões todos os protestos que tenho em minha cabeça:
"para o fim das indústrias fonográficas de sertanejo"
"para que nunca se acabe o frio na barriga quando o cara que você gosta, sussurra nada importante em seu ouvido"
"para ninguém pisar na grama!"
"para que nunca nos proibam de deitar na grama para ver o céu estrelado"
"para o fim dos topetes a lá Cabeção"
"para que nunca se acabe a moda dos coques a lá anos 60".
Eles gritam alto em minha mente, porém de minha boca, eles não saem.
E eu continuo a escrever tudo o que vem na minha cabeça, fazendo o que já não tinha sentido, mais sem nexo ainda...
Tenho que escolher o que detesto- ou sonho, que a minha inteligência odeia, ou a ação, que minha indiferença repugna; ou a ação, para qual eu não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Eu...
Minha...
Meu...
Santa Bárbara, egocêntrica no seu mundo pequeno que nem ela mesmo cabe...
Eu, que de dia sou nula, e que de noite sou eu...
Eu, que num clarim surjo, e que na alvorada me faço...
Eu sou assim, fútil e insensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de uma emoção que continue... um sentimento que subsista, e entre para a substância da alma.
Tudo em mim é a tendência para ser a seguir, a mesma coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual.
Tudo me interessa e nada me prende.
Atendo a tudo sonhando sempre;
sou duas, e ambas têm a mesma distância- o infinito...
Sou abismo...
Tenho fome da extenção do tempo, e de ser eu sem condições...
Eu conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.
Proclamei, espaço a pequeno espaço, um pântano em que caí nula.
Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferro de mim mesma...
Digo o que ontem, literalmente, fui.
Procuro explicar a mim mesma como cheguei aqui...

Tuesday, October 10, 2006

drunk


Tomei um porre
de sonhos impossíveis
com dois cubos de desilusão.
Arrecadando uma vida inteira de ressaca
por um amor sem perdão.







"Spinning, laughing, dancing to her favorite song
A little girl with nothing wrong
And she's all alone..."