Friday, September 29, 2006

red fingernails.


Pintei minhas unhas de vermelho.
Sai correndo na rua da minha casa.
Gritei.
Pulei.
Tentei dar uma estrelinha...
Cantei Completely Pleased
E rodei com minhas madeixas castanhas
batento em meu rosto.
Tapando meus olhos,
me dando uma falsa idéia de liberdade
comedida.
Escondi-me não sei de que,
e procurei algo que nem havia perdido.
Falei eu te amo para a minha mãe,
fiquei com medo de me depilar.
E agora estou aqui.
Nesse silêncio ensurdecedor.
Falando sozinha com as minhas paredes azuis...
não ficarei mais do que uma semana,
mas já sinto uma falta absurda
de tudo isso aqui.
Talvez por saber que eu vou deixar
isso tudo, para sempre.
E esse sempre está bem próximo...
E então eu olho para as minhas unhas vermelhas,
e arrumo as minhas malas.
Suspirando alto
eu percebo
que vou sentir muito mais falta daqui
do que eu jamais imaginei.







"I want to see you smiling, weak in the knees
I want to see you come, come, completelely pleased
Iwant to give you something priceless and free
And free - ee - ee"

Thursday, September 28, 2006

estrondo.

Num estouro profundo,
uma energia única
domesticava aqueles corações sem rumo,
era o tão esperado encontro
da uma alma partida em dois.

Sunday, September 17, 2006

espera.


Tu trouxe paz,
aconchego e calor,
para quem andava perdida
num frio lugar dentro de mim mesma.
Deixou a vontade
de pegar-te pela mão
e levar até a minha casa na árvore,
que ainda nem existe...
Para fugir...
Do mundo, e fotografar
nuvens em forma de espelhos.
Não me pinta grande,
porque eu sou pequena.
Não me constrói forte,
pois eu sou frágil como uma pena.
Não me queira confiante,
pois eu sou volúvel como o mar.
Se quiser... Espera amor,
que esse eu tenho até transbordar.


"I'm lucky, I can open the door and I can walk down the street
Unlucky, I've got nowhere to go and so I followmy feet"

bolhas de sabão.


Escrevia nossos dias
com a ponta do dedo,
cheia de pó amarelo
que um dia foi giz,
sobre o quadro verde
na sala abandonadamente escura.
Classes vazias,cadeiras viradas
sobre as mesas riscadas.
Bolas de papel,
aviõezinhos,
pontas de lápis de cor,
se misturam no chão
com os sentimentos abandonados,
esquecidos sob os espessos
centimetros de poeira.
Aqui danço eu...
crua,
pura,
sobre cacos,
de uma história espatifada
pelo tempo perdido.
Sento, rolo,
levanto, deito.
Empregnando no corpo
resquícios dos sonhos
que um dia foram nuvens em forma de coelhos,
solo firme,
para meus brancos pés
fracos.
Desafinada, canto
rasgando meus pulmões,
me inundando de oxigênio
inflando minha alma até estourar
e me partir em mil partes.
Sou então bolhas...
de sabão,
voando pelo ar.
Na direção do desconhecido,
me espalho sobre o mundo
explodindo com qualquer contato
me tornando novamente em pedaços,
caindo sobre a terra
como uma doce chuva de verão.
Feito gotas minúsculas,
vou escrevendo assim,
no borrão do meu ser,
o fim de uma vida
que tu escolheu
não viver.

Tuesday, September 12, 2006

É só o tempo lá fora..


Senta ao meu lado,
e me dá a sua mão.
Eu vou te contar,
como meu amor também pode ser cruel.
Se eu te disser que eu não me importo,
não acredita.
Eu mesma não acredito quando digo
que tudo vai ficar bem.
Meu amor nunca foi assim.
Mas agora veio assim,mascarado.
Dizendo sim,
querendo dizer não.
Não, eu já nem sei se te amo mais...
Mas quero sim é que tu descubra
tudo de ruim que há longe de mim.
Para quando voltares para meus apertados abraços
perceber que daqui, nunca deveria ter saído.
Daqui a pouco te escrevo uma carta ritmada,
e te pergunto como estás.
Eu quero ler que estás mal...
- ansioso, triste, raivoso -
Querendo me ver, querendo conversar.
Que não aguenta mais de saudade,que precisa ir embora...
Eu quero ler que tu vai tentar.
Eu quero te ver magoado de novo,
para poder te consolar...
Nessas horas sou bandida,
sou cruel, sou cínica, sou nojenta.
E mais um bando de adjetivos
que nem ouso pronunciar.
Porque é quando percebo
que te quero para mim.
Quero te ouvir me chamando de girlfriend,
me olhando sorrindo.
Vou te confessar:eu luto contra o amor;
que brigo contra os pensamentos malvados
derivados de um amor não vivido.
E tudo isso já é uma grande besteira.
Porque não tem ninguém aqui do meu lado.
E, se essa conversa tivesse alguma verdade,
é a de que eu não quero te esquecer.
Mas o tempo não passa...
E o meu coração não cura.
Ah, deixa a chuva lá fora lavar tudo de ruim
que há em mim...
Quem sabe amanhã eu não acordo com uma vontade louca
de amar,
sem querer odiar?

Sunday, September 10, 2006

18 anos.



Agora que eu já vi como é ser adulta,
será que eu posso voltar a ser criança?






"I've been afraid of changing
'Cause I´ve built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too..."

Wednesday, September 06, 2006

possívelmente talvez.


Diferente. Diferente. Diferente.
Eu sou diferente.
Ela dizia. Diferente.
Sem perceber que era tão igual a todas as outras
ao repetir isso incansavelmente.
Diferente...
E ele nem mesmo olhava
enquanto ela levantava a placa que dizia:
eu posso te fazer feliz.
E ela podia,
porque era realmente diferente.
Mas ele não queria nem saber.
E como prêmio ele ganhou sua indiferença.

quem mandou não saber se expressar.


"Look through time and find your rhyme
Tell us what you find..."

Monday, September 04, 2006

tropeços.


Eu caí nas suas histórias
tropeçei nas suas palavras bonitas
e esqueci que tu és humano.
E que humanos erram...
Me perdi nas coisas que queria ver,
e esqueci de buscar a verdade.
E agora tu quer voltar no tempo,
mas é absurdamente tarde demais.
Me afundo sem a mínima chance de me defender,
levando comigo todos os teus segredos.
Principalmente aqueles pelos quais,
o mundo intero está a me julgar...


"Hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills
'Cause I know I'm a mess he don't wanna clean up"