Sunday, August 27, 2006

Falta-me

Me leva para andar de carro,
sem destino pelas ruas vazias,
ouve cada palavra que eu grito,
e presta atenção nas entrelinhas.
Se mais alguém tivesse,
metade que fosse,
do teu interesse...
Eu nunca mais seria sozinha.

eu e minhas goiabas.

Sentada sobre os pés da goiabeira,
olhando séria para o sol
esquentando as solas de seus all star
enquanto alguém,
chamado Rodrigo.
escondido entre os galhos,
cantarolava,
fragmentos de estrofes
alternados com assovios tímidos,
ele viajava para dentro do seu próprio mundo.
Enquanto tudo o que ela fazia era desejar...
Que pudesse ficar eternamente ali.

Wednesday, August 23, 2006

my peace...


Frente a frente
ele parecia um gigante.
Pela primeira vez ela se viu tão pequena,
como sempre se sentiu.
Porque nunca lhe avisaram
que a paz estava logo alí?
Naqueles braços que cercavam seu corpo
e não queriam mais abrir...
Um coração que desafiava as leis da física
batendo na velocidade da luz,
passaporte para uma viagem sem volta
num mundo só deles dois.
Os sorrisos cúmplices,
o frio nas barrigas, as pernas bambas...
Nem amanhã, nem depois.
Agora.
Agora é a hora.
E esse agora eles vão transformar em para sempre.

Tuesday, August 22, 2006

incertezas.


De repente não chegamos a lugar algum.
Caminhamos por longas horas
parados no mesmo lugar.
Sem motivos,
sem tempo,
sem objetivos.
Apenas por estar tão perdidos dentro de nós mesmos,
agora nem sabemos se vamos voltar.

Sunday, August 20, 2006

no meu mundinho de algodão doce.

Bárbara ri,
sozinha.
Senta e se perde
no seu mundinho de fantasia.
Bárbara se diverte,
se vê grande,
se assusta,
se entretém
com as espessas nuvens
de sonhos fracos
sobre seus brancos pés.
Bárbara pequena
sobrevive sozinha
nesse mundo cão.
Desde sempre foi assim,
tu que não sabes,
então pode matar
essa sua tola esperança
pois ela, de ti, não depende.
Agora tu pode sentar e chorar
ela nem se importa,
não ouve, não crê.
Quando a trocou pela indecisão
ela já sabia, que um dia
tu voltaria.
Mas agora a amarga Bárbara
destinou só à vida
essa enorme paixão.

Thursday, August 17, 2006

dos sentimentos maiores que nós.

odeio sentir que minha vida
está em tuas mãos.
mas adoro sentir as tuas mãos
na minha vida.

Wednesday, August 16, 2006

smile like you mean it!


Era grande demais para sufocar dentro de si.
Começou pelas pontas de seus dedos, e extendeu até seus braços,
Passou mudamente para a garganta, arrebentando-se em forma de um grito,
Subiu à cabeça revoltando seus cabelos antes loiros,
Apertando-lhes os olhos, tampando os ouvidos,
E, de repende, numa velocidade descomunal despencou...
Roubando todo o ar de seus pulmões,
Arrebatando o estômago, congelando-o.
Afroxando as pernas,
tornou-se leve como uma pluma.
Parecia estar dançando nas nuvens de algodão,
numa música muda só dela.
uma descarga elétrica incontrolável,
era como se o fogo estivesse correndo em suas veias...
Devastando cada mísero pedaço de seu corpo,
Até onde será que vai a insanidade,
quando toma conta de teu ser
essa tal felicidade?







"Nobody knows it but you've got a secret smile
And you use it only for me ..."

Friday, August 11, 2006

just us.

Entre uma estrofe e outra,
eu vou pensando,
Me perdendo,
me encontrando.
Florbela Espanca chora
todo o sentimento que eu escondo,
continuo a gritar, no meu rasgado silêncio.
Nos poemas de outro alguém
os versos que eu nunca sonhei,
para alguém que eu já conheço,
de onde, eu nem sei...
Ele ri abertamente enquanto canta,
e eu sinto em meus lábios
o gosto do beijo que eu ainda não recebi.
Com esses acordes surdos,
eu danço com minhas pernas bambas,
por culpa de minha mente psicótica
que, teu silêncio, não aceita.
Eu quero. Eu te quero.
Céus! Nesse mesmo instante.
Quero as juras feitas embaixo da lua,
quero teus dedos rasgando os meus cabelos,
quero sentir seu braço rodear a minha cintura,
quero ouvir sua voz rouca dizendo que me adora.
Quero te mostrar as estrelas,
quero te ver sorrindo por causa das minhas desventuras.
Quero ouvir os seus sussuros ao pé de meus ouvidos,
sem promessas, sem planos,
sem antes e sem depois.
Por agora, só fique do meu lado.
Por que eu te quero junto a mim,
com o jeito inocente de toda menina,
com a crueldade de toda mulher.
Eu quero os meus olhos nos seus olhos,
tuas palavras me compondo.
de pedaços e trapos
se faz a boneca
que em teus braços se desfaz.
Vem, fica aqui.
Vamos decorar os nomes das estrelas.
vamos rir de piadas idiotas,
vamos cantar "I can see clearly now, the rain is gone..."
Esta é a nossa hora.
só nesse segundo
só nós..
só agora.
Vem, vambora?









I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.

Monday, August 07, 2006

dreaming.


Ela vê a vida passar,
esperando esperançosamente por alguém
que sente como ela,
numa mesa perto da rua,
naquele barzinho na esquina.
Daquele boteco que toca Vinícius, Tom,
Banden ou Chico...
Ela espera aquele que vai pedir um coquetel de frutas sem álcool para ela,
e para ele uma bebida bem forte.
E eles vão ficar ali,
comentando sobre o tempo,
sobre a camada de ozônio,
sobre os parentes que não moram nesse país.
E ele vai pegar sua mão, segurando forte,
tendando fazer com que o seu ponto de vista dos filmes de Oliver Stone sejam ouvidos.
Do nada ela olhará para o céu, e ele perceberá.
Vai rir do nada e lhe ensinará o nome das estrelas.
E ele vai embora depois de um beijo suavemente puro.
e, sozinha, naquela mesa do bar da esquina,
ela vê a vida passar,
esperando por alguém que não vai a deixar.

Friday, August 04, 2006

giz de cera.

Eu descobri na vida dois amores,
maiores do que o tempo e todos os meus temores.
Entre os seus braços o portal da oitava maravilha,
um mundo novo agora todo multiplicado por três.
Não existe explicação que caiba tamanho sentimento.
Foi-se o tempo em que seguiamos sozinhos a direção do vento.
nunca só, não, nunca só,
sussurravam incansávelmente em meus ouvidos,
é o início da sua nova vida.
À vida eterna. A vida além da nossa própria vida,
aquela vida, aquela que vale a pena.
madeixas louras ou castanhos-claros,
a falta delas, o silêncio.
o som do violão chorando junto com a chuva na varanda,
todos textos esquecidos nas gavetas,
as bicicletas, e os muros,
as mãos e os abraços,
o caos, as incertezas,
sorvete e chocolates.
As novas cores do mundo.
Um sentido que agora existe para sempre.
Para sempre bem mais do que palavras,
muito além daquele conceito clichê.
somos nós giz de cera dessas duas vidas,
rabiscando as paredes de nosso próprio mundo,
construindo um refúgio único e incomum,
exclusividade de quem aprendeu a ser um só,
sendo mais que um.





do dia que eu aprendi
que só se é seguro, onde se esconde.

Tuesday, August 01, 2006

um amor que eu não odeio amar...

De repente ela se deu conta que não era dele que sentia falta.
E estranhamente isso doeu mais do que todas as coisas do mundo.
Lembrar das horas perfeitas e estranhar profundamente não as achar mais tão perfeitas. Lembrar dos abraços, dos beijos, das palavras proferidas até mesmo para o vento, das mãos, pernas e até dos all star azul escuro, da música e de tudo aquilo que julgava ter esquecido. Pensar que talvez só tenha se sentido completa por estar vazia.
A mente descrente não se lembrava de suas palavras invertebradas.
Profundamente sedento de amor sugou-a em dois segundos.
Não podia dizer não áquela alma, de tantas outras vidas conhecidas.
Ele soltava aquelas palavras no ar como pingos de chuva.
Não conseguia desviar, alguma sempre acabava a acertando.
E ela se fez crente por um amor inexistente.
Se disse apaixonada sem sair de baixo da própria saia.
Aceitou as juras falsas de amor,
ouvindo os planos em silêncio, concordando num absurdo grau de insanidade.
Ele falava. Ela suspirava,
mas mal sabia onde estava.
Perdida no fundo de si, ela se deixou levar.
Ansiava por novas aventuras, uns socos no cérebro, emoção.
Era bom, pra variar.
Se entregou à juras que não aconteceram;
fingiu um soluço de um choro que nem começou;
suspirou um ar que não faltou;
gemeu por um arranhão que não doeu;
chorou por uma lembrança que já morreu.
O amava com um amor sem presente.
Morria de ciúme, mas não entendia.
Agora a saudade corrói a alma mal consumida naquela noite de chuva mal dormida.
Mate quem esqueceu de me avisar que pode fazer muita falta um amor que não precisamos amar.